quinta-feira, 17 de abril de 2008

- Realidade sonhada

O mundo parecia estar parado, imóvel, existia apenas para nos ver juntos, o tempo passava lentamente sob o efeito da química que pairava no ar. Olhares se cruzavam e envolviam-se num momento mágico, onde a multidão em segundos se transformava em apenas duas pessoas, só nós dois.
E bastou um simples toque, aquela pequena carícia, e tudo mudou, tudo se tornou claro, não conseguia esconder mais este sentimento que permanecia vivo dentro de mim.
Tu permanecias neutro, apenas o teu olhar fazia questão de acompanhar todos os meus passos, perseguia todos os meus gestos de nervosismo que eu não conseguia disfarçar.

O calor da tarde dava lugar a uma noite gélida, e ali estavamos nós, naquele jardim onde outrora fomos amantes, mas onde agora, eramos apenas velhos amigos. O sentimento era diferente, as nossas vidas tinham mudado, e a minha esperança de reviver todos aqueles momentos contigo era quase nula, e tu continuavas a falar, espalhavas palavras e palavras, enquanto na minha cabeça existiam apenas três palavras ' Gosto de ti ! ' .

Começava a desesperar, o meu orgulho não me deixava exprimir os meus sentimentos, as palavras estavam presas e não conseguia dizer-te o que queria, e tu parecias não perceber o que eu estava ali a sentir..
Não aguentava mais, a tua neutralidade fazia-me sofrer, a ideia de nunca mais poder estar contigo como antes estavamos derrubava-me, e fazia-me sentir fraca, e eu não podia mostrar-te as minhas lágrimas, o meu sofrimento.. Cá por dentro, um mar de lágrimas inundava o meu corpo, e sentia que a qualquer momento, os meus olhos iam brilhar e uma maldita lágrima ia fazer questão de te conhecer e de ser vista por ti.

Decido-me despedir de ti, preferia deixar de estar contigo, do que mostrar-te o que estava a sentir..
Aproximaste de mim.. e fazes-me arrepiar com a perfeição desse gesto, as tuas palavras agora não se espalhavam sem sentido, sussuravam no meu ouvido e tocavam a minha pele duma forma tão especial, e fazes aquele teu sorriso que me fazia lembrar todos os momentos que vivi contigo, pedes-me um beijo antes de ir embora, como poderia recusar tal coisa ao homem de que sempre gostei ?
Não queria acreditar, ali estavamos nós, no velho jardim que no passado presenciou os nossos momentos únicos, e neste mesmo jardim, estavamos agora os dois, num beijo intenso. Num beijo que trouxe com ele, toda a esperança que eu pensava estar perdida.


Mais uma noite, mais um sonho, em que tu estás presente.. e é tão real!
Mas acordo, e logo fico triste com a verdadeira realidade, não passou de um sonho, que talvez nunca se torne verdade.
Parecia estar mesmo a tocar-te.. parecia estar a sentir-te ali ao meu lado..


Enfim, não vale a pena tentar escrever o que sinto, as palavras saem trocadas, as linhas ficam tortas, e as letras são tão fracas, que talvez mais tarde se tornem transparentes..

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Um amanhã demasiado adiantado.



E apenas o facto de saber que estás a meu lado, faz-me sorrir de uma forma estúpida.
Contigo trazes a imensa felicidade que inunda os meus olhos com um brilho incomparável, e como sempre não te apercebes do quanto gosto de ti , e permaneço calada, mostrando-me indiferente a este intenso sentimento que mexe comigo.




Na sombra da noite nasce a luz de um novo dia, um dia em que novamente fingimos não ter nada para dizer. Mais um dia em que escondemos aquilo que nos vai cá dentro..
Entramos num jogo de adiamentos, o jogo do amanhã, o jogo do depois, e mais uma vez adiamos o que sentimos, adiamos aquilo que queremos dizer, e a coragem vai fugindo entre as nossas mãos, e depois..

Depois ?



O amanhã pode já não existir, o amanhã pode ser tarde de mais, e tudo o que tens hoje podes já não ter amanhã.



Os ponteiros rodaram mil vezes mais depressa que o habitual, e fizeram-me perder o lugar que eu pensava estar reservado. Até a areia da ampulheta me tramou, correu e correu mais rápido, fazendo-me ver que estava atrasada demais, todos os minutos adiados se transformaram agora em imensas horas, horas impossíveis de recuperar..
Vi minutos a passar, os ponteiros a rodar, e tudo continuava igual, apenas a minha coragem mudava.. cada vez era menor.



A possibilidade de te perder para sempre, fez-me ganhar a coragem perdida . Desta vez não te vou perder, desta vez não vou esconder, desta vez vou mostrar-te o que nunca te mostrei.




O mundo pode girar para o lado que quer, o destino pode não ser mudado, o dia-a-dia pode criar as barreiras que quiser, mas só nós podemos escolher o rumo que queremos para a nossa vida.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sentimento culpado .

Acções inconscientes das suas consequências, vontade de voltar atrás no tempo, sofrimento por um erro cometido no passado, e apesar do arrependimento e de não querer voltar a sofrer por alguém que amámos no passado, todos o voltam a fazer.

Culpado? O sentimento, esse sentimento tão forte que nos apunhá-la pelas costas, fazendo esquecer todo o nosso sofrimento e que nos faz palpitar novamente por esses momentos únicos passados ao lado da pessoa que nos atormenta constantemente a cabeça.
E esse sentimento anónimo rola e rebola numa roda viva, deixando-nos à deriva para saber que nome lhe vamos chamar.


Amizade? Atracção? Paixão? Amor?

Só quando perdemos essa pessoa é que tudo se torna mais claro, e é com essa perda que percebemos o nosso verdadeiro sentimento e a importância dessa pessoa na nossa vida.
E foi quando te perdi que senti o que é o amor, mas agora era tarde, agora esse sentimento apenas destrói e consome o meu peito, num fogo que queima e magoa o meu coração. Assim permaneço, na esperança que os ventos mudem de direcção e que acalmem este fogo doloroso que lavra e arde sem rumo e sem sentido dentro de mim.

E as chamas aquecem o coração, mantêm quente este sentimento, e fazem-me voar pensando em ti e na falta que fazes na minha vida, enquanto estas chamas não se extinguirem tudo continuará a ter significado para mim e continuarei aqui á tua espera.

No fim, só restarão as cinzas, e aí tudo estará perdido, acabado.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pseudo - Conto de fadas =]

"Ao perceber que estava prestes a perder o amor da sua vida, desespera e corre ao seu encontro na esperança de lhe confessar todos os seus sentimentos.
" Tenho de dizer te uma coisa, eu AMO-TE ", e apenas aquelas palavras mágicas fazem acontecer um beijo apaixonado, que dita assim o inicio duma vida a dois 'feliz para sempre' . "

Realidade ? Quem me dera .
Pura ficção, onde o amor e a felicidade são verdadeiros e eternos, onde no fim o amor vence todas as barreiras e triunfa .

Quantas não são as raparigas que tentam fazer da sua vida um conto de fadas? Quantas são aquelas que ainda sonham com um final feliz ?

Esta é um história diferente, onde nem eu sou uma princesa, nem tu és principe encantado montado num cavalo branco .
Nesta história, eu não passo de apenas mais uma rapariga tola, e tu, o rapaz que tal como os outros coleccionar raparigas tolas como eu.
Tentei resistir, tentei fugir ao que sentia, mas o sentimento era mais forte . E lá estava eu, rapariga tola a deixar-me cair nas tuas conversas de coleccionador..
Tudo me parecia perfeito, tu parecias ser ideal, todos os minutos vividos contigo ficavam marcados pela magia daqueles momentos, mas a magia tal como tudo teve um fim, e bastou um segundo para perceber que tudo não passava de ilusão.
Sentimentos fingidos, uma falsa esperança de um futuro só nosso. No futuro, a palavra futuro perde o sentido, apenas resta o passado. Já não existe nosso, passa a existir somente meu e teu. Existem apenas as minhas memórias dos momentos únicos passados contigo, e a tua pequena lembrança de que conseguiste mais uma rapariga tola para a tua colecção de conquistas.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Palavras imperfeitas que procuram a perfeição .

Queria falar-te, mas não estás a ouvir..
Queria tocar-te, mas não vais sentir..
Queria beijar-te, mas já não estás aqui..



Restam memórias, memórias antigas que eu guardo no meu pensamento cheias de pó, e num cantinho bem escondido para as conseguir esquecer . Mas elas persistem, e insistem na esperança... Esperança de que um pano passará por cima desse pó, e o passado quase esquecido volte a ser o presente bem vivido.
E a vida continua, o tempo passa.. e essas memórias apesar de todo o pó que as cobre, permanecem vivas no canto do quase-esquecimento..



Esquecer ? Como se pode esquecer momentos que desejamos reviver ?



Permanente no pensamento, resistente no coração .